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July 05 Narcisismo microscópico![]()
May 16 O não-lugar do Palácio Thomé de Souza
April 28 Violência na TV![]() Violência na TV Albenísio Fonseca O "il mondo cane" das metrópoles pode servir ao sensacionalismo barato e perverso que motiva uma audiência. Mas há um limite de tolerância à falta de ética e respeito a princípios consagrados à pessoa e ao exercício da profissão, que recusam como jornalismo a abordagem na forma de interrogatório torturante, utilizado por supostos repórteres, nos programas de tevês sobre a violência, como método de intimidação ao direito de ampla gama de miseráveis - oh! Victor Hugo. Programas
que atentam, com a crueldade dos seus fatos, para o bem estar social, e sob a
complacência permissiva das autoridades policiais e jurídicas.
"Comunicadores", radialistas (?), a usar do livre direito de
expressão da nossa tênue democracia, para replicar a violência seriada; o
escabroso, como sedução. A adotar métodos coercitivos, sentenciando, antes de
qualquer veredito. As emissoras - concessão pública, diga-se - a dispor em suas grades de programação de tribunais de inquisição da correição pública, a espetacularizar a violência do drama contemporâneo. Cuja antípoda, suposta justificativa, pasme, é, evidentemente, a moral social e os bons costumes. E eis que se consagram à luz do Dia. "Tem jornal popular que Dos anos 60 da Tropicália, de Tom Zé, desenvolvemos (!) do ponto de vista mesmo de uma História da Imprensa - oh! Gutemberg - para uma ação de mídia televisiva em escala de alcance massivo extraordinária. Mas, para que? Para atender ao gosto popular mais relés? À sede pela barbárie que inunda o cotidiano? O baixo instinto da platéia, a ser saciado pelo dantesco? O estupor tornado em prazer? A desgraça como deleite? Filmes de violência requerem horários de exibição. O real, em sua face mais cruel, psiquiátrica, digamos, ferindo o Estatuto da Criança e do Adolescente, não? Ser visto é tão humano quanto ver, dirias - oh! Dante - no inferno da vida banalizada. A Justiça titubeia. Restringe-se à ação pontual. Convertido numa espécie de horário nobre do terror, os programas devem, ao menos, sair do meio-dia. Ampla programação cultural no Brasil só é exibida em altas horas, inacessíveis ao grande público, incompatíveis com um compromisso público pela cultura, pelo avanço das "tecnologias" da consciência cidadã. O "fenômeno" desses programas não é apenas baiano. No balanço geral, temos na mira que falta ao País um projeto de Nação, e desde há muito. Adepto da democracia, da qualidade, do bom senso e do respeito ao direito e à dignidade do ser humano, sou totalmente avesso à censura, ao totalitarismo, à violência e à criminalidade - oh! Newton. Defender uma tevê comprometida com reais valores civilizatórios nos faz clamar que os procuradores convençam mesmo aos juízes – sob o espírito das leis – oh! Montesquieu - a passarem o rodo nesse tipo de pretenso entretenimento. --------------------------------------- Albenísio Fonseca, jornalista April 13 Festival de Arte Negra
Arte Negra, entre a força e o charme O Brasil é
o país convidado de
honra da terceira edição do Festival Mundial de Arte Negra, a ser lançado oficialmente, em
terras brasileiras, dia 25 de maio, em Salvador,
com as presenças do presidente senagalês, Abdoulaye Wade, e do
embaixador do Senegal no Brasil, Fodé Seck. Mesmo com o MinC já tendo delegado, em portaria, à Fundação Palmares a organização da delegação brasileira, entidades baianas reclamam que nenhuma outra medida foi adotada, por esta, e pela Secult, até então, para definir a representação brasileira, e baiana, em especial, no evento. Albenísio Fonseca Enquanto 150 entidades baianas,
lideradas pelo Núcleo Cultural Niger Okan, fazem força para por o pé na África,
e criaram, no final de março, o Comitê Baiano Pró-3ºFesman - Festival Mundial
de Arte Negra/ 2009, a
acontecer durante todo o mês de dezembro em Dacar, Senegal, o Governo do Estado,
através da Secretaria de Cultura, faz charme. Mesmo com o MinC já
tendo delegado, em portaria, à
Fundação Palmares a organização da delegação brasileira, nenhuma outra
medida foi adotada, por esta e pela Secult, até então, para definir a
representação brasileira, e baiana, em especial, no evento. O Brasil é
o país convidado de
honra desta terceira edição do Festival, a ser lançado oficialmente, em
terras brasileiras, dia 25 de maio, em Salvador,
com as presenças do presidente senagalês, Abdoulaye Wade, e do
embaixador do Senegal no Brasil, Fodé Seck. O ministro da Cultura, Juca Ferreira, e o presidente da Fundação Palmares, Zulu Araújo, participaram, no início de março, da cerimônia de lançamento do 3 º Fesman, em Dacar. No evento, o escritor Abdias Nascimento foi condecorado pelo presidente do Senegal com o diploma de “Embaixador de Boa Vontade do Fesman”. O presidente Abdoulaye externou, inclusive, o desejo de proferir palestra para empresários brasileiros, sobre as possibilidades de intensificar o comércio bilateral. Patrimônio da humanidade, desde 1978, a ilha de Gorée naquele país, foi um entreposto de escravos, de onde negros africanos eram confinados antes de serem enviados em navios para o Brasil. O Senegal foi libertado do domínio francês em 4 de abril de 1960, sob a liderança do poeta Leopold Senghor, falecido em 2001. O governo do Senegal mobiliza uma
grande estrutura para sediar o encontro, com espaço de 40 mil m², em Dacar, onde são construídos palcos
e salas para apresentações dos espetáculos culturais. Serão erguidas, ainda,
cerca de mil tendas para abrigar os cinco mil artistas convidados. Novos
prédios são construídos e outros reformados, além do treinamento de oito mil
técnicos senegalenses para trabalharem na infra-estrutura do festival. Os organizadores prevêem a participação de 50 mil convidados estrangeiros, além do envolvimento de um público local estimado em um milhão de pessoas. Para a cerimônia de abertura do Festival se espera a presença de 400 mil pessoas. O Fesman tem sido um momento relevante para performance e reflexão sobre a contribuição da cultura e estética negra no mundo - tão fundamentais quanto a grega - e a cerca da resistência à violação dos direitos civis na África e nos países da diáspora. O que artistas e representantes de entidades da sociedade civil defendem, em Salvador, é a transparência democrática nos critérios de seleção e dotação orçamentária para a participação da delegação brasileira no grandioso evento. Correspondência neste sentido, ainda sem resposta, já foi encaminhada pelo comitê baiano à Fundação Palmares.
------------------------------ 71 9912-5961 March 10 Across the carnival (revisited) e O axé sob contingênciaAcross the
carnival
Albenísio Fonseca
Atravessando o carnaval. O título em inglês, permita, é uma paródia à música dos Beatles "Across the universe" que em 4 de fevereiro de 2008, numa estréia absoluta, foi transmitida pela Nasa, como celebração aos seus 50 anos de fundação. Segundo a agência espacial americana, a transmissão fora orientada na direção da estrela Polaris, a mais brilhante da constelação da Ursa Menor, situada a 431 anos-luz da Terra. Mas são os ecos da folia que ainda atravessam minha cabeça dura. O impactante documentário "Cordeiros" de Amaranta Cézar e Ana Rosa Marques, ao revelar trincheiras da luta pelo exíguo território das avenidas do Carnaval, mostra o quanto a organização da festa envolve a divisão e a desigualdade na geografia urbana e na estrutura social de Salvador, em seu micro esplendor de sociedade do espetáculo. Urge que o documentário seja reexibido, inclusive pelos canais das TVs Câmara e Assembléia Legislativa, e tendo os próprios parlamentares na audiência. Através das imagens e vozes dos cordeiros, a corda torna-se um limite tênue, perturbador, por si só violento; um muro que explícita tensões entre incluídos e excluídos, brancos e negros, ricos e pobres. Mais que uma metáfora de navios negreiros, trios elétricos a singrar o Atlântico Sul dos circuitos da visibilidade do que se presumia, até então, apenas um grandioso festejo. No mesmo universo, a iniciativa inteiramente legal de licitação da comercialização da festa, ganha pelo publicitário Nizan Guanaes pela soma de R$ 6 milhões, sabe-se agora, era válida por dois carnavais. Em meio ao surto de consumo indevido com cartões corporativos por ministros do Governo Lula, outro fato estarrecedor publicado no Diário Oficial da União de 20 de dezembro de 2007, na Seção 1, página 44: duas inexplicáveis doações do Ministério da Cultura à empresa Madeirada Produções e Eventos que somaram R$ 2 milhões como patrocínio por seis shows da cantora Ivete Sangalo em vários estados do país, além de três apresentações, dela mesma, no trio-elétrico Corujas, no carnaval 2008. Na página 89, outra doação: mais de R$ 400 mil, feita à mesma empresa, como patrocínio ao Bloco Cerveja & Cia para seu desfile pelo circuito Barra-Ondina. Nada justifica tamanha discrepância. A mão-de-obra, negra e inculta – cerca de 80 mil “trabalhadores” - remunerada a R$ 10, duas garrafinhas de água mineral e dois pacotes de biscoito ao dia, para promover a segurança dos foliões – ricos, brancos, em esmagadora maioria, e o Minc a “carnavalizar” o dinheiro público. Que universo é esse? Na canção de John Lennon a atravessar estrelas, o mantra repetido: “Nada vai mudar meu mundo” é bem sintomático. Por aqui, nada parece mudar o Brasil. Mas o carnaval baiano – como o país - precisa de um processo de organização que altere as graves distorções nas relações de trabalho que o perpassam. “Jai guru deva OM!” Ou melhor, valha-me meus orixás. ---------------------------------------- Albenísio Fonseca é jornalista, poeta e compositor O axé sob contingência Albenísio Fonseca
A força avassaladora e contagiante da axé music, com seu modelo “made in Bahia for export” tem sofrido restrições em territórios carnavalescos país afora. Embora seus artistas e produtores sejam promotores de carnavais fora de época, em eventos como o CarNatal e Recifolia, entre outros, quando reina absoluto, o ritmo “axé” foi proibido, diria mesmo censurado, nos carnavais de Recife, Olinda e nas cidades históricas de Minas. Em Ouro Preto , Mariana e São João Del Rey a música baiana só pode ser tocada em ambientes fechados, fora do circuito oficial da festa, e sob cobrança de ingressos. Em Olinda, por decretos do Executivo, ficaram proibidos o beijo na boca, sob a alegação de que estariam ocorrendo “arrastões de assédio” – legislação burlada, principalmente nos redutos gays da cidade em festa; e a circulação de táxis, restrita apenas à frota local. No Recife Antigo, a interdição à axé music nos fez contemplar tradicionais manifestações pernambucanas. Dorival Caymmi, se vivo estivesse, poderia reencontrar, sob a chuva intensa, sua “Dora, rainha do frevo e do maracatu”. Em Salvador cada vez mais ficam menos tênues os limites da geografia do sagrado e do profano no ciclo de festas, vide a revitalização proporcionada por Gerônimo nas escadarias do Passo. Uma intervenção anterior ao seu reinado de Momo. Em Pernambuco, numa rota inversa à roda viva da dinâmica cultural – e mesmo cabendo a Caetano Veloso proceder à abertura da pernambucália folia esse ano – o impedimento a que o ritmo baiano passasse a “cantar de galo” compõe, muito mais que uma reserva de mercado, a legítima preservação do que há de mais genuíno nas expressões populares do estado vizinho. Por
aqui, temos a festejar o tombamento do Carnaval de Maragojipe como patrimônio
imaterial da Bahia e o investimento do estado nos carnavais de Palmeiras e Rio
de Contas, que têm manifestações culturais tradicionais e peculiares. Festejar,
também, o toque de Midas de Carlinhos Brown, extensivo à sua magnífica presença
na escola de samba Acadêmicos do Salgueiro, com seus tambores campeões do Carnaval carioca, e
sua quase-marcha “Vai chamar Dalila”, na voz de Ivete Sangalo, mais tocada do
período momesco (e que já virou gíria no submundo), em concorrida disputa com o mega axé “Beijar na boca”, da
Cláudia Leite, que irritaria o prefeito de Olinda. Se me coube um dia, em meados dos anos 80, ostentar o então pejorativo “axé music”, em caráter positivo, como título de reportagem, para a nova onda musical baiana, e sou dos que integram o cordão do “É probido proibir”, tenho que admitir a importância da política cultural pernambucana, acenando para o coração do pierrô Alceu Valença a cantar nossa pluralidade cultural da sacada do casarão onde mora em Olinda. No mais, lamentar ter perdido o engarrafamento de garçons, bandejas de whisky à mão cheia, no farto (Fausto) dispêndio do open bar oferecido no camarote do governo baiano. Contingenciamento à parte, é claro. Axé! -------------------------------------------- Albenísio Fonseca é jornalista, poeta e compositor albenisio@yahoo.com.br Public folders
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